Sexta-feira não tinha aula na escola do Eduardo Castro. Também não era dia de folga. O host father, que ele chama de “meu pai dos EUA”, tinha uma lista para a família: lavar banheiro, passar pano, cuidar do jardim. O jardim foi onde Eduardo mais ajudou, e ele conta isso rindo.
Eduardo foi aos Estados Unidos por um ano letivo no Intercâmbio de High School e hoje, aos 18 anos, resume a família que teve assim: “Da família que eu tive, eu só tenho coisas boas para falar.” O que está por trás dessa frase é o que mais interessa a quem está pensando em viver com uma host family.

O que é viver com uma host family durante um ano letivo
Na maior parte dos programas de high school, o estudante mora com uma família anfitriã, a host family. Ela recebe o aluno em casa durante o ano letivo e divide a rotina com ele: refeições, horários, carona, combinados.
Cada família define o que espera do estudante, e vale conversar sobre isso logo no começo. No caso do Eduardo, uma dessas expectativas eram as tarefas de sexta junto com a família. Para entender as regras gerais da convivência, vale a leitura do guia sobre morar com uma host family no intercâmbio.
Sexta sem aula, tarefa de casa e ser tratado como parte da casa
Lavar banheiro e cuidar do jardim não eram castigo nem pegadinha. Eram o que se esperava de quem morava na casa.
O mesmo host father que dava as tarefas fazia o almoço e o jantar, deixava os amigos do Eduardo irem à casa sempre que quisessem e fazia questão de levá-lo para os lugares aonde ia. Levou-o para esquiar. Levou-o para Yellowstone (o parque nacional), que Eduardo descreve como o lugar mais bonito que já viu na vida.
Tarefa e passeio vinham do mesmo lugar: Eduardo não era visita, era alguém de casa.
Um host father professor e uma entrada fácil na escola
Fazer amigos foi simples para Eduardo, e a família ajudou. O host father era professor e já tinha dado aula para vários alunos da turma dele. Quando Eduardo chegou, foi apresentado a muita gente, e o pessoal fez questão de incluí-lo.
Nem todo intercambista tem esse atalho. O exemplo mostra o peso que a família anfitriã e a rede dela têm principalmente nas primeiras semanas.
O dia a dia: ovos com bacon, aula chata e treino
Eduardo acordava às 6h40, e o café da manhã, geralmente ovos com bacon, já estava pronto. Um amigo passava para buscá-lo de carro. A aula ia das 7h40 às 16h, de segunda a quinta na escola dele. Isso varia, e há escolas com aula de segunda a sexta.
Ele escolheu uma única matéria, educação física, porque foi o único horário que sobrou. O resto veio da validação dos estudos no Brasil: duas histórias (uma no nível do segundo ano e outra no do terceiro) e, no primeiro semestre, duas aulas de inglês. “As aulas foram bem chatas, mas mesmo com aula chata, eu consegui fazer muita amizade lá.” Para entender como funciona a validação dos estudos do exterior aqui no Brasil, vale ler as 8 dúvidas mais comuns dos pais sobre intercâmbio high school.
Depois da aula, 30 minutos para comer e treino às 16h30: corrida pela escola e futebol em um time da cidade. No começo, o corpo doía. Depois ele pegou o ritmo.
O David, o irmão que Eduardo nunca teve
Na escola, Eduardo ficou amigo do David, outro intercambista. O David morava muito longe da escola, e fazer o caminho a pé todo dia era bem difícil.
A solução veio da própria casa do Eduardo. O host father, que sempre deixava os amigos dele frequentarem a casa, abriu espaço para o David, que se mudou para lá no meio do ano letivo e ficou alguns meses. A casa passou a ter quatro moradores: o host father, o Eduardo, o David e o Dexter, o cachorro.
Para Eduardo, isso mudou o intercâmbio. Ele é filho único e, de repente, tinha alguém da mesma idade dividindo a rotina, a mesa do jantar e a casa.
“Eu nunca tive um irmão, e tive um lá.”
Ele lembra dessa fase como uma das mais divertidas e marcantes do ano.
A parte difícil: o Dexter
Desde o começo, Eduardo se deu muito bem com dois moradores da casa: o host father e o Dexter, o cachorro. Quando fala da família, cita sempre os dois nomes na mesma frase.
Já perto do fim do intercâmbio, o Dexter teve um problema na coluna. Foram ao veterinário, e não houve muito o que fazer: a família precisou sacrificá-lo.
Foi um dos momentos mais tristes do ano para os três que ficaram na casa: o host father, o Eduardo e o David. Eduardo não tenta suavizar quando conta. Diz apenas que foi muito difícil.
Viver com uma host family é isso também. O estudante não está hospedado num hotel com café da manhã incluso. Está morando numa casa de verdade, e entra na rotina dela inteira, inclusive quando a notícia é ruim. Eduardo não assistiu de fora: perdeu o cachorro junto com a família.

Fora de casa, o que mais pesou foi a comida
Quando perguntam o que mais chamou a atenção nos Estados Unidos, Eduardo não fala de paisagem nem de escola. Fala de comida.
Ele já esperava encontrar muito fast food, mas viver isso no dia a dia foi outra história. Pizza, hambúrguer, batata frita e muita coisa industrializada faziam parte da rotina. Ele descreve essa cultura alimentar como difícil de acompanhar.
O efeito durou mais que o intercâmbio. Desde que voltou ao Brasil, Eduardo não consegue mais comer aquelas pizzas.
O próximo passo
Eduardo foi aos Estados Unidos porque queria conhecer o estilo de vida americano de perto. Encontrou isso numa família onde a sexta-feira era dia de cuidar do jardim, os amigos eram sempre bem-vindos, um colega virou irmão e todos se despediram juntos do cachorro.
É esse tipo de convivência que define um intercâmbio de high school, muito mais do que a grade de matérias. Para entender como ela funciona no dia a dia, vale a leitura do guia sobre morar com uma host family no intercâmbio.
Se você está considerando essa experiência para o seu filho, o primeiro passo é conversar com a coordenação do colégio e entender o que ela aceita. O segundo é escolher bem quem conduz o processo. A Central do Estudante é membro da Belta — Associação Brasileira das Agências de Intercâmbio e tem equipe formada por profissionais que viveram intercâmbio na própria pele. Antes do embarque, realiza reuniões de preparação com alunos e famílias.
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